Pequena introdução ao pensamento espagírico.

O termo espagiria deriva provavelmente da união de dois termos gregos “Spao” (dividir) e “agheiro” (unir) ou, segundo outras fontes, o segundo termo seria “gheras” (que indica as coisas divinas).

Então – extrair e depois reunir aquilo que está contido em um ente vegetal – ou – extrair as coisas divinas contidas na planta.

A espagiria é também definida como Alquimia do mundo vegetal, no que se refere a uma transformação que se opera sobre o vegetal para exaltar suas virtudes particulares. É, portanto uma técnica que opera uma transformação sobre o vegetal para obter um produto capaz de portar equilíbrio nas desarmonias do homem.

Assim, diferentemente dos remédios homeopáticos e alopáticos, a farmacodinâmica espagírica tem suas especificidades.  O remédio espagírico prevê uma relação homeo-fisiológica, o que entenderemos mais adiante a partir de uma comparação com os sistemas médicos acima citados.

A alopatia se utiliza de medicamentos que tentam “expulsar demônios” o que na visão de Hahnemann seguiria a lei dos contrários, “Contraria contrariis curantur” (contrários são curados por contrários), eliminando assim o agente externo causador da doença, partindo do pressuposto que o sistema humano não passa de um simples corpo material desagregado de seus aspectos emotivos e espirituais. Já a homeopatia parte do princípio da lei das similaridades, “Similia similibus curantur” (Similares são curados por similares) onde uma determinada substância que produz em uma pessoa sã, os mesmos sintomas da doença diagnosticada, é assumida como uma “doença artificial” creditando à própria energia vital do sujeito a capacidade de restaurar o equilíbrio. A farmacodinâmica espagírica têm pontos em comum e pontos que diferem da homeopatia e da alopatia.

Para um espagirista dependendo do ente causador da doença[1]·, ela pode por vezes ser entendida como um “demônio” externo que deve ser expulso do corpo, como para a medicina alopática, porém as visões se diferem com relação às causas da doença. Essas causas na espagiria não se resumem apenas ao ingresso de um corpo estranho no sistema humano que deve ser eliminado como na visão alopática, mas sim devem ser entendidas por meio de seus aspectos holísticos, psicossomáticos, espirituais, etc. Uma doença deve ser tratada pela via da similaridade, mas não pela similaridade com o pathós (sofrimento, doença), mas sim por meio da cooperação entre arquétipos, onde um arquétipo similar pode reforçar outro que esteja debilitado estimulando uma cura autocrática. Assim atua-se através de uma relação homeo-fisiológica e não homeopática.

A espagiria pressupõe que a planta tem uma inteligência e individualidade  própria, que é impedida de se manifestar. E o “espagirista” através da arte, libera a inteligência  desta planta, que operará, por sua vez, transformações (de maneira  holística) sobre os sujeitos que a empregam.

Referências Bibliográficas

STEFANI, S.; CONTI, C.; VITTORI, M.; Manuale di Medicina Spagyrica. Tecniche Nuove, Milano, 2008.

PARACELSO. A chave da Alquimia. Editora Três. São Paulo 1973.

 

[1] Ver Paracelso paramirum

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